Largo Resources vai apoiar estudante de Salvador em Universidade na Alemanha


Junho de 2021 tem tudo para ser um dos meses mais marcantes da vida do estudante Felipe Petillo, 19 anos. Pelo menos até aqui, é o mais feliz dos meses de toda a sua jornada, segundo ele mesmo define. É que, depois de ser aprovado na faculdade de geologia dos seus sonhos na Alemanha e conseguir arrecadar R$ 26.143,46 para viajar para Europa através de uma vaquinha, a necessidade de pagar despesas básicas com alimentação, hospedagem e transporte durante a faculdade - outro problema que poderia impedir que o soteropolitano conseguisse concluir a graduação de quatro anos - acaba de ser resolvido. Felipe ganhou da Vanádio de Maracás, mineradora da Largo Resources, um apoio financeiro que vai arcar com todas essas necessidades, bem como com as passagens para visitar o Brasil no período das férias durante todo o seu curso.

Notícia que deixou o jovem tímido sem muito o que dizer, mas com um sorriso de felicidade que nem a máscara que cobria seu rosto foi capaz de esconder. "Como é que fala alguma coisa depois disso? Só tô muito feliz. Não esperava de jeito nenhum, era uma coisa que eu não sabia muito como ia resolver, ia trabalhar de algum jeito para tentar ficar lá", diz ele, que soube do apoio financeiro, que ainda terá seu valor definido entre a família do jovem e a empresa, no dia em que conheceu o processo de recolhimento, análise e beneficiamento do vanádio, mineral que é utilizado na produção de um aço mais resistente e mais leve, tanto na indústria aeroespacial, como na produção de baterias de alta capacidade. A Vanádio de Maracás é a única empresa a trabalhar com esse minério nas américas.

Uma experiência que deixou o menino de poucas palavras cheio de perguntas sobre o universo que conheceu na quarta-feira (30), na companhia de diversos profissionais da Vanádio de Maracás como Leonardo Rangel, coordenador de geologia, Samile Regis, geóloga de longo prazo e Felipe Seguin, geólogo de curto prazo. De tão vidrados e atentos, os olhos de Felipe pareciam querer saltar e passar por cada parte dos setores que conheceu por lá. E não era para menos. Só nesta visita, Felipe foi pela primeira vez ao local onde fica uma mina de fato, entendeu a estruturação das cavas, viu como se analisa áreas para saber se o minério no local é lucrativo e teve uma verdadeira sabatina sobre todo o processo de refino do vanádio até virar produto em Maracás.

Visita dos sonhos


Um dia que, de acordo com Felipe, mostrou na prática muito do que ele estudou sobre a geologia nos livros e também pela internet, sem ter um referencial físico dos processos que só ficavam na imaginação, que não contemplava a riqueza de detalhes da atividade. "A visita foi incrível, de verdade. Muitos desses processos eu vi nos livros, nos meus estudos, fiz até relatórios. Agora, não fazia ideia de como era aqui. Quer dizer, eu até imaginava, mas não dava conta de pensar em tudo isso. Foi a materialização do que eu estudei por anos e com detalhes que eu ainda não conhecia”, relata.

O soteropolitano até tinha feito uma viagem até a mineradora de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) em Caetité com a sua turma do ensino médio no IFBA, mas foi uma visita mais curta, focada em análises das rochas, sem passar por toda dinâmica produtiva da mineradora, como aconteceu em Maracás.

"Em Caetité, foi algo bem mais rápido, não tem comparação. Na época, foi uma passagem curta para ver onde estavam os testemunhos, que são os fragmentos de rocha que são analisados pelos geólogos. Hoje, eu consegui presenciar e entender todo o processo desde a retirada da rocha da terra até a conclusão do refinamento dela", conta empolgado.


Empolgação que fez Felipe mudar a forma como enxergava o processo produtivo de uma mineradora e manter aberta a possibilidade de trabalhar nesse tipo de empreendimento, principalmente na área de pesquisa. "Sem dúvida, alterou muito a forma como eu vejo a mineração. Achei o processo muito legal. Claro que pode ser uma possibilidade para o futuro. De tudo, o que mais gostei e mais me interessa é a parte de análise e estudos dos testemunhos, que você verifica cada detalhe das rochas retiradas das minas pela sonda”, fala.

Esforço recompensado

Setor de trabalho que é um dos muitos - em uma extensa lista de opções - que ele vai considerar enquanto estiver na Alemanha, onde vai se comunicar sem muito problema porque o jovem tem proficiência em cinco idiomas. Além de dominar o inglês, o espanhol, o italiano e até o latim, Felipe já tem fluência em alemão, feito que conseguiu de forma autodidata, em casa, e com uma rotina intensa de estudos do idioma.


Com média de um ano de estudos para aprender a língua, o soteropolitano dedicava diariamente três horas do seu dia ao aprendizado de alemão, praticando escrita, fala e escuta. A mesma técnica era usada nos aprendizados dos outros idiomas que domina.

"Eu estudava normalmente durante a tarde. Começava ouvindo um podcast de quase uma hora e depois escrevia um texto no idioma sobre o que tinha acabado de ouvir, mas não parava aí. Além de escrever, eu corrigia o texto para ver o que tinha errado e evoluir, me adequando à gramática do idioma. Para finalizar, eu gravava um áudio sobre coisas que aconteceram no meu dia”, lembra ele.

Outro elemento essencial para o aprendizado sem cursos do jovem era a interação que ele mantinha em grupos de redes sociais com pessoas que estivessem estudando a língua que queria aprender e também com nativos. "Os grupos de WhatsApp, Facebook e Telegram também foram bem importantes porque eu aprendia a língua em contato com outras pessoas. E era uma coisa mais leve, conversas comuns só que em outros idiomas, tanto que fiz amigos nesses processos. Uma técnica de imersão mesmo porque, de certa forma, você vive o idioma e são grupos que mantenho para ir preservando a fluência", afirma Felipe, que quando decidia aprender um idioma, não media esforços para isso até conseguir. Assim como fez para conseguir a vaga no Studienkolleg de Hamburgo para geologia.

Dedicação que impressiona

Uma determinação que chamou a atenção de Paulo Misk, CEO da Largo Resources e presidente da Vanádio de Maracás, que viu a matéria sobre Felipe no CORREIO e se encantou pela história do morador da cidade baixa, articulando de imediato uma visita do estudante à mineradora e o apoio financeiro para o período de graduação do jovem.

"Quando eu vi a matéria no jornal, li aquilo e achei interessante demais. Fiquei impressionado com a capacidade dele, com a vontade de crescer, foi algo que me tocou. O cara fez tudo isso, passou em uma universidade na Alemanha e aprendeu cinco idiomas em casa sem curso, sem nada. É daquele tipo de história que encanta a gente e merece ser valorizada", diz Paulo.

Valorização que, de acordo com Misk, precisava virar assistência ao soteropolitano. "Se tem um negócio que move a gente é ajudar quem corre atrás. Se a gente puder ajudar alguém a fazer história, estamos felizes. Isso está no nosso DNA, coisa que interfere e motiva quem trabalha aqui. E a gente não quer nada em troca por isso. O Brasil precisa de exemplos, como Felipe e muitos outros, de gente que se dedica e consegue vencer", afirma o CEO da Largo Resources, que faz questão de ressaltar que o apoio ao estudante não o condiciona a nada, mas abre também as portas da empresa para um estágio, no futuro, caso Felipe ache interessante para a sua formação profissional.

Programas educacionais

Apesar dos valores que serão destinados para Felipe ainda não estarem definidos por conta da necessidade de uma reunião entre a família do futuro geólogo e a Largo Resources para que os gastos na faculdade sejam estimados, o apoio financeiro para ele dá o pontapé inicial em um programa de assistência da empresa a jovens egressos do ensino médio que precisem de ajuda para continuar seus estudos. Um programa que deve contemplar quatro alunos de cada ano do ensino médio do município que já têm o apoio da empresa, que já custeia o ensino privado desses jovens em uma escola privada de Maracás com quem a Largo Resources tem parceria.

O acordo também já concede para dependentes de funcionários da Vanádio de Maracás bolsas de 50% na mesma escola durante o ensino médio, para fomentar a educação de mais qualidade também para os filhos dos colaboradores da empresa. Além disso, a empresa tem um programa direcionado para seus trabalhadores, fornecendo bolsa de estudos que arca com 70% dos gastos com formação para 64 funcionários da empresa que queiram se aperfeiçoar com formação em nível técnico e superior, sendo que 30 colaboradores já conseguiram se formar com o auxílio do programa. Ao todo, com os programas de assistência para educação de funcionários, seus dependentes e comunidade de Maracás, a Largo Resources investe anualmente mais de R$ 1,5 milhão em ações do tipo.

Incentivos educacionais que, de acordo com Paulo Misk, surgem da necessidade de auxiliar não só quem faz a mineradora funcionar, mas também as pessoas da região em que a empresa está instalada. "O povo vê muito a tonelada produzida, o tamanho da empresa. Eu acho que isso é detalhe. O que importa são as pessoas que trabalham aqui, que fazem isso funcionar. Quando a gente tem essas atitudes, fazemos sem querer nada em troca. Mas, como eu disse, é algo que volta para a gente porque muda como os colaboradores nos enxergam e a dedicação deles ao trabalho", explica Misk.

Impacto econômico e ampliação da mineradora

Muito além do investimento social em Maracás, a mineradora deu uma injeção de ânimo na economia da cidade, redesenhando a estrutura econômica do município, que está a 370 quilômetros de Salvador. Maracás se tornou a 8º maior cidade geradora de royalties minerais (Cfem) na Bahia, de acordo com dados da Agência Nacional de Mineração (ANM).

E a ascensão da cidade neste ranking não deve parar por aí. Hoje, a Vanádio de Maracás opera com uma mina. Porém, já existem 12 alvos para novas minas com possibilidade de recolhimento do material, sendo que dois destes alvos já tiveram os estudos concluídos e vão virar novos pontos de extração, o que deve gerar mais empregos na região.

Boa nova que não só ajuda quem vai conseguir uma colocação na Vanádio de Maracás. Isso porque a atividade da mineradora gera um impacto indireto na cidade, abrindo vagas e incentivando outros setores de trabalho. Para se ter uma ideia, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de empresas ativas na cidade passou de 373 em 2014 para 484 em 2017, enquanto a quantidade de pessoas ocupadas passou de 2,2 mil para 3,3 mil no mesmo período.


Informações/Correios 24horas



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