Águia de Ouro é a grande campeã dos desfiles de escolas de samba de SP


A Águia de Ouro é a grande campeã dos desfiles de São Paulo. Com um enredo sobre o poder do conhecimento, a escola conquistou o primeiro título no Grupo Especial. O resultado saiu nos momentos finais da apuração.

O sol não estava tão forte como nos anos anteriores, mas o caldeirão do Anhembi tinha pressão para todos. Para as 14 escolas do grupo especial, um ano de trabalho em julgamento.

Em 2020, a Liga das Escolas de Samba de São Paulo mudou os jurados e o regulamento. Vários quesitos ganharam novas regras, novas formas de avaliação. A bateria sofreu as principais mudanças. A nota agora não começa mais em 10, mas em 9,8. Dependendo do desempenho dos ritmistas criando novos movimentos, paradinhas, novidades, a escola pode chegar a 10. Mas também pode perder importantes décimos.

“Isso mostra que, para tirar 10, tem que ser 10 mesmo, de verdade. Ultimamente todas as escolas estavam tirando 10, isso tira até um pouco da vontade da rapaziada de ensaiar oito meses”, explicou Rodrigo Gonzalez Tapia, presidente da Gaviões da Fiel.

“Carnaval está muito técnico, muito sério, então, cada mudança que tem é para que a escola consiga trabalhar melhor aquele quesito e consiga obter a totalidade dele”, concordou Sérgio Sanzoni, diretor da Mancha.

Antes de abrir os envelopes, o presidente da Liga das Escolas de Samba, Paulo Sérgio Ferreira, anunciou que as notas de um jurado de alegoria não seriam levadas em conta.

“Julgador Marco Antônio Nieves Cardoso, de alegoria, não será lido a nota de alegoria do mesmo por ter causado, transcorrido, um mau comportamento dentro da sua cabine”.

O jurado aparece num vídeo, na primeira noite de desfiles, dançando durante a passagem de uma escola. A Liga ainda disse que vai entrar na Justiça contra ele.

No início da apuração, a Acadêmicos do Tatuapé ficou à frente das outras escolas, assumindo a liderança com uma diferença de um décimo.

Emboladas em segundo lugar, as escolas foram perdendo décimos em quesitos como fantasia, comissão de frente, evolução, até que, no quesito alegoria, o penúltimo a ter as notas lidas, a virada. A Tatuapé acabou perdendo três décimos e foi ultrapassada pela Águia de Ouro.

Ficava tudo pelo quesito final, bateria, e, com um último 10, a escola fundada em 1976 conquistou seu primeiro título no Grupo Especial.

Na quadra da escola, a explosão da alegria de quem esperou 44 anos pelo título. Na Tatuapé, que brigou pelo título até o fim, os torcedores aplaudiram a vitória da Águia de Ouro.

A escola deu uma aula sobre o conhecimento e mostrou a importância do saber para a evolução humana desde a pré-história, com a descoberta do fogo, da agricultura, da roda.

A escola desfilou também o saber dos grandes. Uma ala representou Santos Dumont, com seu avião; outra, Leonardo da Vinci, e o carro alegórico em formato de escola homenageou o educador Paulo Freire e mostrou que os livros podem ganhar vida e, quem sabe, até prever o futuro.

E a Águia lembrou que o conhecimento também pode ser usado para a destruição. O terceiro carro da escola representava um dos momentos mais tristes da história: a explosão da bomba de Hiroshima, no Japão.

Mas a escola encerrou o desfile mostrando que o conhecimento deve ser voltado para o bem, o respeito à diversidade, e que a tecnologia é uma ferramenta para que os homens criem um futuro de progresso e harmonia.

Nesta terça-feira, depois da apuração, um temporal varreu o Anhembi, e a taça, carregada debaixo de chuva, foi levada pelos integrantes para a escola.

Duas escolas foram rebaixadas para o Grupo de Acesso: a Pérola Negra e a X-9 Paulistana.

Informações / G1

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