Battisti diz que captura foi uma libertação, segundo jornal italiano

15.01.2019

  O italiano Cesare Battisti, preso após quase 40 anos foragido, afirmou a investigadores que estava cansado de fugir e que a sua captura “foi uma libertação”. Ele não se declarou inocente durante o voo que o levou da Bolívia para a Itália. Porém, disse não ser culpado de tudo o que o acusam, de acordo com o jornal “Corriere della Sera”.

 

  As informações são consideradas fundamentais para as autoridades italianas, porque poderiam ser indício de que ele poderia confessar os crimes. Até então, ele sempre negou envolvimento nos assassinatos e se dizia vítima de perseguição política.

 

  O “Corriere della Sera” conta que no começo do voo Battisti perguntou aos investigadores como eles tinham chegado até ele, que estava hospedado em um quarto de hotel barato em Santa Cruz de la Sierra. Os quartos são normalmente alugados por prostitutas por poucas horas.

 

  Os investigadores não responderam. Não era uma “simples curiosidade”. “O terrorista explora uma rede de coberturas criminais e talvez institucionais”, segundo descrição do periódico.

 

  A procuradoria de Milão vai investigar toda a rede de proteção em torno do italiano fugitivo em vários países. As pistas levariam a políticos e até traficantes de drogas.


Condenado à prisão perpétua

 

  Battisti foi condenado à prisão perpétua em 1993 sob a acusação de ter cometido quatro assassinatos na Itália na década de 70: contra um guarda carcerário, um agente de polícia, um militante neofascista e um joalheiro de Milão (o filho do joalheiro ficou paraplégico, depois de também ser atingido).

 

  Ele afirma que nunca matou ninguém e se diz vítima de perseguição política.

 

  Foram 37 anos de fuga quase permanente, com períodos de prisão e lutas político-judiciais para evitar a Justiça da Itália. Battisti escapou do seu país na década de 1980, viveu no México, na França, no Brasil e, mais recentemente, havia se escondido na Bolívia.

 

Fonte: G1

 

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