Sociedades científicas divulgam manifesto coletivo de 'indignação'

04.09.2018

A Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e mais outras 38 outras sociedades científicas divulgaram nesta terça-feira (4) um manifesto de "tristeza e indignação" pelo incêndio que destruiu a maior parte do acervo do Museu Nacional, no Rio. Intitulado "A Vida e a Morte da Ciência e da Memória Nacionais", o documento pede "a reconstrução de uma ideia que o fogo não devora".

 

As entidades lembram que é impossível reconstruir as coleções perdidas ou recuperar os "tesouros históricos e científicos que têm alimentado a pesquisa nessa instituição". Mas, recomendam, é preciso reconstruir um "museu que sirva de referência para as futuras gerações, repetindo a fórmula que esteve presente na sua história, de um acervo histórico e científico apoiado na pesquisa científica, reunindo, assim, indissoluvelmente, a memória e a investigação, o passado e o futuro".

 

As organizações recomendam que, além de se liberar recursos para garantir a segurança do imóvel atual, é preciso "estabelecer locais de trabalho adequados para os pesquisadores" e a ampliação do museu, deslocando do palácio, para outros prédios em terreno próximo, as atividades administrativas, de pesquisa, de guarda de coleções e de ensino de pós-graduação.

 

"Isso, aliado a dotações orçamentárias adequadas para o futuro, permitiria a continuidade da instituição, com suas atividades de ensino e pesquisa, a realização de exposições públicas, com os serviços vinculados de museologia, divulgação científica e de assistência ao ensino", sugerem.

"As chamas que devoraram o Museu Nacional enviaram uma mensagem de alerta para a sociedade brasileira. É fundamental que sejam tomadas ações adequadas e urgentes para salvar a ciência, a tecnologia e a inovação no País. Urge impedir que essas chamas se alastrem e consumam o futuro do Brasil."

 

 

O Museu Nacional foi fundado em 1818 por Dom João VI e era a instituição científica mais antiga do país. O acervo começava do lado de fora com o palácio que foi a residência da família imperial brasileira. O local também foi usado em momentos históricos do país como a assinatura da independência e a primeira assembleia constituinte da república. 

 

Fonte: R7

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