Percentual de candidatos negros cresce, mas segue abaixo da proporção da população

25.08.2018

 

  O percentual de candidatos negros cresceu nas eleições de 2018 em relação ao último pleito presidencial, em 2014, mas segue abaixo da proporção encontrada na população brasileira, apontam dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 

  Das mais de 28 mil pessoas concorrendo a um cargo eletivo neste ano, quase 12,9 mil se declaram como pardas ou pretas, o que corresponde a 46,2% do total. Segundo classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pardos e pretos são considerados como negros em conjunto. Já 52,7% dos candidatos se declaram brancos.

 

  Há quatro anos, 44,3% dos candidatos eram negros e 55% eram brancos — um aumento de 1,9 ponto percentual para os negros e uma queda de 2,2 pontos percentuais para os brancos. Não é possível comparar com eleições anteriores, já que os dados de cor de pele dos candidatos não eram contabilizados antes de 2014.

 

  Mesmo com o ligeiro aumento, as proporções das eleições deste ano continuam não refletindo a realidade do país, já que a maioria dos brasileiros se enquadra como negro – 47,1% pardo e 8,8% preto, totalizando 55,9% —, e não como branco, como acontece entre os candidatos. Os dados são do segundo trimestre de 2018 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

 

  A Pnad trimestral não contabiliza amarelos e indígenas de forma separada, mas apenas em conjunto com as pessoas sem declaração de cor de pele. Por isso, a proporção apresentada de 1,1% pode ser ligeiramente menor na realidade.

 

"[Essa disparidade é] mais um exemplo de como a sociedade brasileira é estruturada pelo racismo. A baixa representatividade de políticos negros e indígenas é um dos muitos exemplos que corroboram a profunda desigualdade racial que rege o Brasil", diz Ynaê Lopes dos Santos, professora do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

 

  Segundo ela, a representatividade é um elemento fundamental para o país conseguir lutar contra o racismo e ela deve alcançar todos os lugares sociais, como a mídia e a política.

 

Fonte: G1

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