Número de mortes por intervenção policial no RJ chega a 895 em 2018


Nos últimos cinco anos, um índice não para de crescer no Rio de Janeiro: as mortes em decorrência da intervenção policial. Eventos como a Copa do Mundo, a Olimpíada ou a Intervenção Federal na Segurança, que mobilizaram tantos efetivos extras e planos de segurança não conseguiram inibir a alta do índice e do alto número de pessoas que morreram em ações envolvendo as polícias Civil ou Militar no estado.

Em 2013, entre janeiro e julho daquele ano, por exemplo, 236 pessoas morreram atingindo uma média mensal de 33 mortos. Nos primeiros sete meses de 2018, o índice anteriormente chamado de auto de resitência atingiu a média mensal de 127 pessoas mortas. O total de casos no ano até agora chega a 895 mortes.

O pior mês em 2018 foi janeiro com 157 casos, ou seja, antes da Intervenção Federal decretada pelo presidente Michel Temer, em fevereiro.

A seguir, os números de 2018:

  • Janeiro - 157

  • Fevereiro - 102

  • Março - 109

  • Abril - 101

  • Maio- 142

  • Junho - 155

Após o início da intervenção, o mês de junho quase chegou ao patamar de janeiro registrando 155 casos. Isso quer dizer que por dia, cinco civis morreram em ações policiais no Rio de Janeiro.

Se contarmos apenas o período da intervenção - entre março e julho - as altas se mantém.

Na contagem dos casos, o G1 deixou de fora o mês de janeiro, quando o ato não tinha sido assinado pelo presidente Temer e fevereiro, mês em que apenas o interventor, o general Walter Braga Netto estava no cargo.

E passou a contar a partir de março quando o secretário de Segurança, o general Richard Nunes e os novos chefes da Polícia Civil, o delegado Rivaldo Barbosa, e da Polícia Militar, o coronel Luís Cláudio Laviano já estavam nomeados.

Dias depois de estarem nos cargos, uma ação da Polícia Militar na Rocinha resultou em oito mortes no confronto.

"A intervenção aprofunda o modelo de segurança pública baseada na lógica de guerra, de confrontos armados, sem estratégia, na ostensividade. Não atua na investigação, na prevenção e na proteção da vida das pessoas.

O aumento brutal do número de homicídios decorrentes de intervenção policial desde o início da intervenção federal mostram ainda que o avanço da militarização, além de não diminuir a violência, ainda aumenta as violações de direitos humanos." afirma Renata Neder, coordenadora de pesquisa da Anistia Internacional Brasil

"Isso é muito preocupante. Vemos que a intervenção não tem foco na letalidade policial. Não se vê preocupação sobre o assunto. A redução da violência passa pela redução desses casos", disse César Munoz, pesquisador do Human Right Watch.

"Esse número retrata um modelo que aposta na lógica do confronto. Essa letalidade produz casos de balas perdidas e policiais mortos. Esse índice é negativo em qualquer democracia", complementou Pedro Stronzemberg, ouvidor da Defensoria Pública.

Ao mesmo tempo em que registra o aumento no número de mortes, os casos de crimes contra o patrimônio apresentam queda. Apesar disso, a Secretaria de Segurança prepara para a próxima semana uma nova fase de ações contra o roubo de cargas.

A secretaria não se pronunciou sobre o tema.

Fonte: G1

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