Apesar da falta de apoio e incentivo, time Feminino de Maracás segue de cabeça erguida


O Jornal da Cidade, convidou Otoniel dos Santos, 44 anos, mais conhecido como Naldinho, para falar sobre o time Feminino de Maracás.

Ele convive há 18 anos na área de esporte na cidade das flores, sendo 18 anos na área feminina, e há 4 na área masculina.

Atualmente o técnico trabalha com aproximadamente 70 atletas do sexo feminino.

São 68 meninas que variam de 11 a 22 anos, que fazem parte do Projeto Cidadãos do Bem, projeto coordenado pela Secretaria de Educação, com o apoio da Prefeitura Municipal. 26 atletas formam a Seleção Feminina de Maracás, que defende o município nas modalidades, Futebol de Campo, Society e Futsal.

Naldinho contou que quando retornou para Maracás, após passar um período fora, encontrou o time de futsal feminino com apenas 9 atletas, hoje, ele treina 26 atletas, entre elas, veteranas, já lideradas pelo técnico há quase duas décadas. Segundo ele, todas são talentosas. E assegura que o diferencial quem faz são elas, não ele.

O técnico esclareceu que a maior dificuldade é o ‘’Preconceito ao Feminino’’. No mais, o time também não possui patrocínios. Em dias de treino, as meninas já usaram material dos meninos emprestado, assim como em competições.

O uniforme masculino não é próprio para Mulheres, isso precisa ser revisto, muitas vezes o que desanima o atleta, seja homem ou mulher, é exatamente as condições de treino, e a realidade das mulheres requer um pouco mais de cuidado. Existem uniformes específicos para as mulheres, o time feminino de Maracás nunca teve um uniforme específico, que permita o bem estar, segurança e conforto para as atletas, as vezes chega a ser constrangedor para elas.

Os treinos são limitados, diz o técnico. E o resultado do trabalho infelizmente fica comprometido. Sem falar que boas condições estimulam as atletas a irem aos treinos.

Chegamos a treinar com 01 bola emprestada. Hoje as coisas estão melhores por conta do projeto Cidadãos do Bem, mas ainda falta mais apoio. Não tem como desenvolver um atleta sem os meios. Trabalhamos com atletas em desenvolvimento, e elas estão sendo limitadas pela falta de material próprio para os treinos. Dessa forma não conseguimos explorar com qualidade o potencial das atletas.

A falta de incentivo é uma dificuldade, a ajuda que temos é pouca. Infelizmente aqueles que podem não apostam no time feminino. E olha que o time feminino de Maracás já deu muitas alegrias ao município, inclusive o time é respeitado lá fora. Em dias de jogos aqui na cidade, poucos vão prestigiar, incentivar... Muitas cidades da Bahia incentivam e apoiam suas atletas, e têm orgulho de terem mulheres tão boas na modalidade quanto os homens, elas são respeitadas. E aqui em Maracás, esse reconhecimento nunca veio. As próprias atletas ajudam no custeio para as competições junto com a Sec. de Educação.

Naldinho relata também para o Jornal da Cidade que existe um número grande de mulheres na zona rural do município que praticam futebol, elas não são valorizadas, não são vistas e nem reconhecidas.

Estão lá, esquecidas. Não são promovidos campeonatos femininos na cidade. Algumas atletas da zona rural inclusive expressaram a vontade de participar de um evento desse porte, mas nunca tiveram uma oportunidade. Completa o técnico sobre o desabafo das atletas que estão abandonadas.

O técnico reclama também da falta de apoio das famílias. Muitos não buscam saber como estão as meninas, nem procuram interagir sobre o dia a dia dos treinos. Principalmente as meninas mais novas, com idades abaixo de 20 anos que participam do projeto. E encerra dizendo que essa parceria é muito importante.

O time de Futsal Feminino de Maracás carrega entre seus títulos, o título de:

Campeão na Copa da Integração

3° Lugar na Copa Jaguar

Campeão da Copa Regional em Itiruçú, e nesse final de semana, a Seleção Feminina de Futsal de Maracás, esteve em Laje, participando da Copa da Integração, da qual é a atual campeã. O Time ficou em 3° lugar na classificação geral.

Maracás é finalista da Copa Sudoeste de Futsal, que ainda aguarda a data da partida. E existe a possibilidade de Maracás participar do Campeonato Baiano de Futebol de Campo. Para isso, o time vai precisar de mais apoio. Pois o único apoio que tem é o da prefeitura municipal.

Só nos resta pedir encarecidamente ao poder público, às autoridades competentes e comerciantes, que olhem com mais sensibilidade para o esporte. Que não olhem só para uma modalidade, que olhem para todas, e que não julgue quem é mais merecedor pelo gênero. E vejam a possibilidade de um acompanhamento psicológico junto a área de esportes no município. Não se pode mais trabalhar somente o físico, as mente dos atletas também precisam de atenção.

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 Por Josi Machado e Allan Lago