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Após pedido de proteção por causa de ameaças, viúva de Marielle Franco presta depoimento



A viúva da vereadora Marielle Franco, Mônica Benício, prestou depoimento na tarde desta segunda-feira (6) na Delegacia de Homicídios do Rio. Ela conversou com os policiais durante 3 horas e disse que a polícia lhe ofereceu um programa de proteção.

Após relatar ameaças sofridas pessoalmente e via internet, a arquiteta afirmou que vai avaliar esta semana a entrada no programa de proteção à testemunha.

“Isso eu vou conversar essa semana para decidir o que vai ser feito. Mas tudo isso vai ser discutido porque tem que ser apresentadas algumas soluções”, explicou ela após depoimento de 3 horas na sede da divisão de homicídios da Capital, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

Mônica pediu proteção à Comissão Interamerica de Direitos Humanos na semana passada. O caso foi revelado pelo jornal O Globo. Ela contou que vem recebendo ameaças nos últimos quatro meses. Em uma ocasião foi perseguida duas vezes no mesmo dia por um carro branco, perto da casa dela, no Rio, há cerca de dois meses.

Outra ameaça foi mais direta: "Eu passei por um homem que me disse, aceita que ela morreu e cuidado porque tá falando demais, a próxima pode ser você".

Ao sair da delegacia nesta segunda, Monica ainda explicou o motivo de ter procurado a Organização Interamericana de Direitos Humanos, e não os órgãos de segurança do Rio: “Eu acho que esse foi um crime político. Confiar no estado é confiar no Estado que matou a Marielle”, afirmou Monica.

“Considerando a posição que eu venho tendo na mídia, a amplitude que eu venho tendo nas redes sociais, além de alguns casos que vem acontecendo, eu fiz um pedido de medida cautelar”, explicou ela.

Mônica explicou que o que a motivou a ir à DH, que a chamou para prestar depoimento devido as ameaças citadas por ela e o pedido da OEA, é cobrar justiça há 145 dias pela morte de Marielle.

“A partir do momento que a OEA cobra que o estado brasileiro garanta a minha segurança, eles cobram. Isso pelo crime que me levou a cobrar eles, ou seja, o assassinato da Marielle”, explicou Mônica.

Também nesta segunda, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) solicitou ao Governo Federal que adote medidas cautelares para proteger Mônica. O governo tem 10 dias para responder à solicitação da CIDH.

A partir desse pedido e da falta de informações sobre o andamento da investigação do assassinato de Marielle (o caso está sob sigilo), a Comissão considerou que "a beneficiária proponente está numa situação de risco grave no que diz respeito ao seu direito à vida e à integridade pessoal". Também considerou que há urgência no pedido por causa de ameaças e advertências feitas à viúva da vereadora.

Marielle Franco foi morta a tiros dentro de um carro na Rua Joaquim Palhares, no bairro do Estácio, na Região Central do Rio, no dia 14 de março. O motorista de Marielle, Anderson Gomes, também morreu no ataque.

Fonte: G1


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